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sábado, 5 de novembro de 2011

Trabalho de camelô é fuga da marginalidade, conclui pesquisa

A venda ambulante não é trabalho. Essa é a opinião de 38 camelôs de São Paulo. Expulsos ou sequer convidados para o mercado formal, essas pessoas se viram obrigadas a montar uma barraquinha e vender bugigangas nas ruas da cidade. No entanto, creditam à prática apenas um "jeito de ganhar a vida" sem cometer crimes.
"Eles não criam uma identidade de trabalhador como outro profissional qualquer. O trabalho de camelô é encarado como ganha pão e o jeito de distinguir-se daqueles que cometem atos ilícitos para ter dinheiro, apesar da perseguição policial", comenta Francisco José Ramires, que pesquisou o tema entre 1999 e 2001. Os resultados estão em seu trabalho de mestrado, apresentado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
Intitulado "Severinos na metrópole: a negação do trabalho na cidade de São Paulo", a pesquisa conta com depoimentos de camelôs de diversos cantos da cidade - do D. Pedro II, Praça da Sé, Hospital das Clínicas e da rua Teodoro Sampaio.
As histórias de vida variam bastante. Possuem em comum o fato de serem quase que na totalidade nordestinos ou filhos de migrantes. Os mais velhos (compreenda como aqueles que passaram dos 38 anos) possuem baixa escolarização, em média 4a série do Ensino Fundamental. Já os jovens concluíram o Ensino Médio e, em alguns casos, fizeram até cursos profissionalizantes e o primeiro ano de faculdade (que foi abandonada por falta de recurso financeiro).
Todos gostariam de trabalhar tendo um patrão - contrariando o mito de que a venda ambulante é uma maneira de ganhar autonomia e maiores dividendos. "Muitos daqueles que sobrevivem graças ao trabalho informal gostariam de voltar ou integrar-se a formalidade. Isso é quase um sonho para muitos".
Ramires explica que a maioria dos ambulantes vieram de trabalhos com registro em carteira e, por isso, sabe das 'tranquilidades' que o mercado formal possibilita: previdência social, fundo de garantia, décimo terceiro salário, entre outros.
São pouquíssimos os que ganham mais de R$300 por mês. O pesquisador encontrou alguns que guardam o colchão sob a barraca e que quando anoitece dormem embaixo dela.
Em alguns casos, os camelôs pagam a comerciantes e clínicas médicas para guardar seus produtos em seus estabelecimentos. Assim, parte da renda obtida por essas instituições é proveniente do comércio informal. "Essa idéia de que existe uma linha divisória entre o trabalho formal e informal não existe. Ambas fazem parte de um único sistema econômico", finaliza Ramires.



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Vendedores ambulantes ilegais causam transtornos em Niterói


Em várias ruas do centro de Niterói há a presença de camelôs. A maioria se concentra nas ruas São Pedro, Coronel Gomes Machado e rua Visconde de Uruguai. De acordo com a Prefeitura Municipal, 476 desses vendedores são devidamente legalizados, e policiais transitam por esse locais enquanto estão em atividade. Apesar de muitos serem legalizados, ainda há reclamações sobre os que são ilegais, inclusive dos lojistas locais. Maria Cláudia, que é vendedora de uma loja no local, reclama dos camelôs que não são legalizados: "Apesar de sempre virem aqui e pegar o material desses vendedores, eles voltam ao mesmo local." Muitos são estrangeiros, como africanos, equatorianos e peruanos.
As barracas utilizadas pelos vendedores são deixadas nas ruas, cobertas por toldos, o que passa uma sensação de insegurança para alguns pedestres. A estudante Elayne Lima, de 24 anos, reclama que é perigoso passar no local, e que tem medo de que tenha alguém escondido entre as barracas. Ela diz nunca passar sozinha de noite quando os vendedores já saíram, pois não tem policiamento no local. A estudante reclama ainda dos vendedores que ficam ao redor do Terminal Rodoviário na parte da noite. De acordo com a Prefeitura, o material desses vendedores é constantemente apreendido pela Secretaria de Controle Urbano.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Kassab vai tirar camelôs ilegais e espera "guerra" em SP


A Prefeitura de São Paulo e a Polícia Militar preparam, para os próximos dias, uma megaoperação de combate aos camelôs ilegais que atuam na região da chamada feirinha da madrugada, no Pari, região central da cidade.
Segundo a prefeitura, apenas 2.949 ambulantes com boxes dentro da área da feira são legalizados. Em novembro, quando a prefeitura assumiu a administração do terreno, cerca de 8.000 atuavam no local --4.700 legais.
A maior parte dos camelôs que foram retirados da feira monta hoje suas barracas nas ruas do entorno. Ronaldo Camargo, secretário das Subprefeituras, diz que são cerca de 4.200 atuando irregularmente na região na madrugada.
Para combater essa atividade, a prefeitura ampliou de 120 para 300 o número de policiais que trabalham na chamada "operação delegada" --uma espécie de "bico oficial" em que PMs de folga trabalham fardados em ações de fiscalização e recebem um adicional da prefeitura para isso.
Zanone Fraissat/Folhapress
Prefeitura de SP prepara operação contra camelôes ilegais na Feirinha da Madrugada na região central
Prefeitura de SP prepara operação contra camelôes ilegais na Feirinha da Madrugada na região central
Esses policiais, segundo o coronel Marcos Roberto Chaves, comandante da PM na capital, devem atuar nos próximos dias principalmente de madrugada para combater os camelôs ilegais do Pari.
Folha apurou que a prefeitura já espera conflitos entre policiais e camelôs nos primeiros dias da operação. Não foi divulgada a data exata do início da fiscalização.
A área da feira da madrugada pertencia à Rede Ferroviária Federal e foi transferida para o governo federal quando a empresa faliu.
Em novembro do ano passado, o Ministério do Planejamento transferiu para a prefeitura a gestão do terreno.
Assim, todos os grupos que se denominavam administradores da feira passaram a atuar clandestinamente.
Agora a prefeitura negocia com o governo federal a transferência definitiva da área. Quando o processo for concluído, a prefeitura vai conceder a gestão do terreno à iniciativa privada.
Estão previstos investimentos de cerca de R$ 300 milhões no local.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Feira do Empreendedor da BA terá cursos gratuitos

SALVADOR  - O Empreendedor Individual (EI) já formalizado ou quem tem interesse em se legalizar terá espaço exclusivo na Feira do Empreendedor 2011, que acontece de 4 a 8 de outubro, no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador. No espaço, o EI poderá tirar dúvidas sobre gestão, benefícios e alvarás com os parceiros presentes, como a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom). Também haverá mais de 40 capacitações gratuitas com mais de 2 mil vagas para este público.

Para participar das capacitações o Empreendedor Individual deve se inscrever para visitar a feira gratuitamente até esta terça-feira (30) neste site.  Após a data, a inscrição para visitar o evento deve ser feita nos dias e no local da feira, com o pagamento de R$ 5, dinheiro que será doado à Associação Pracatum Ação Social.

Mariana Cruz, analista técnica do Sebrae na Bahia, responsável pelo espaço do EI na Feira do Empreendedor 2011, explica que o estande será dividido em duas áreas, uma para quem quer se formalizar e outra para quem já é regularizado. Quem vai se registrar terá a oportunidade de participar da palestra inicial “Quero ser um Empreendedor Individual” e depois poderá optar pela formalização.

“O empreendedor já consegue sair da feira com o seu Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) porque o Sebrae vai disponibilizar dez mesas com técnicos para fazer o registro do EI. Depois ele vai circular pelo espaço do evento e buscar oportunidades de negócios”, diz Mariana.

A Bahia já possui mais de 127 mil empreendedores individuais, sendo que mais de 45 mil estão em Salvador. A Lei do Empreendedor Individual legaliza 467 atividades profissionais de trabalhadores por conta própria, como ambulantes, cabeleireiros, carpinteiros e vendedores de porta em porta, que tenham faturamento de até R$ 36 mil ao ano.