Lomadee


sábado, 4 de dezembro de 2010

A FANTÁSTICA HISTÓRIA DE SILVIO SANTOS

 História de vida do homem mais conhecido do País tem passagens que poucos conhecem. Saiba como foi a trajetória do Homem do Baú
               Silvio Santos, um homem que seis décadas depois, aquele por quem ninguém daria um tostão estava no alto do carro alegórico da Tradição, no domingo de Carnaval, abrindo o desfile em sua homenagem. Quando o abre-alas entrou na concentração, Silvio Santos (nome artístico do Senor Abravanel) ficou petrificado com a cena que viu: o Sambódromo, em peso, gritava o seu nome. Por alguns instantes, toda a sua trajetória de sucesso passou por sua memória. Silvio levou alguns segundos para se recompor e voltar a acenar para a multidão. Nas arquibancadas, muitos usavam uma máscara com o seu rosto, mas nem de longe sabiam como o menino travesso havia virado o homem que mais paga impostos no Brasil.
              O moleque era um zero à esquerda na escola, faltava à maioria das aulas e encarnava um pestinha com os colegas. Silvio, desse jeito você não vai ser ninguém na vida. Só pensa em futebol. Por ironia do destino, essa era a frase que Senor Abravanel, aos 12 anos, ouvia diariamente de sua professora de 5ª série, Maria Lourdes Bruce, da Escola Primária Celestino da Silva, na Rua do Lavradio, Centro do Rio.
              A ladainha era sempre a mesma, já que Silvio gostava mais de falar do que de estudar. Era comum ver o menino contar histórias para os alunos sobre a atuação dos times de futebol. Silvio é torcedor do Fluminense.
              As travessuras de Cenourinha, apelido dado por colegas de Silvio, pelo diminutivo de Senor, não se limitavam à sala de aula. Sua mãe, Rebecca Abravanel, vivia atrás do menino, com chinelo na mão, pelas ruelas da Vila Rui Castro, na Travessa Bentevi, no Centro, onde ele nasceu. Silvio brincava horas com os amigos, na rua, e não dava sossego à Dona Rebecca. Ele era um capetinha. Não havia quem o controlasse, apesar da rigidez da mãe, lembra Lydia Marques da Silva, 68 anos, colega de turma de Silvio e vizinha na Vila Rui Castro.
              O temperamento intempestivo de Rebecca vem do sangue. Turca, trazia a rédeas curtas Silvio e os outros cinco filhos (Beatriz, Sara, Leon, Perla e Henrique). Rebecca conheceu o pai de Senor no Rio.
              Alberto Abravanel deixou a Grécia, onde nasceu, fugindo do serviço militar. Procurou refúgio na França, mas acabou preso em flagrante e expulso por trabalhar como camelô. Num mar de incertezas, o jovem embarcou em um navio para o Brasil, onde acabou constituindo a família Abravanel. Com o dinheiro ganho no trabalho como intérprete e guia turístico, no porto, graças às línguas que dominava, Alberto comprou uma lojinha, na Praça Mauá, onde vendia souvenirs. A família era considerada remediada.
              Mas tudo começou a desandar quando o pai se viciou no jogo. Nos salões dos cassinos, Alberto perdeu a única fonte de renda. Irritado, Silvio deixou a escola, por dois meses, e passou ganhar dinheiro apostando com jogadores de sinuca, nos bares da Lapa. Apesar do esforço e da persistência, o trabalho complicava a vida escolar de Silvio, que nem sempre conseguia ir às aulas. No terceiro ano básico, quando tinha 19 anos, das 459 aulas previstas no currículo, ele faltou a 234. Ou seja: 51%.
              Para se divertir, Silvio usava a imaginação e driblava a falta de dinheiro com travessuras. Desde os 12 anos, nos cinemas da Cinelândia, ele e o irmão Léo entravam pela saída das sessões, para não pagar ingresso.
              No Odeon, nós nos infiltrávamos entre o público que saía e caminhávamos em sentido contrário, andando para dentro do cinema, contou Silvio. O dinheiro economizado com os ingressos era gasto em outra mania de Silvio: ele colecionava figurinhas que vinham em balas.
              O cinema realmente fascinava Silvio. Ainda mais a série O Vale dos Desaparecidos, todas as quintas-feiras, no extinto Cine OK. Era a única sessão em que ele pagava para entrar. Não podíamos correr o risco de não poder entrar de carona. No Cine OK, nossa pilantragem não dava certo, porque o porteiro e o guarda de serviço já nos conheciam, recorda Silvio, no livro.
              Foi numa dessas tardes de quinta-feira que a estrela de Silvio começou a brilhar. Gripado e com febre alta, ele foi impedido pela mãe de sair de casa para assistir a seu seriado preferido. Ficou arrasado e chorou. Mas a palavra da mãe prevaleceu. Pouco depois, ele descobriu que havia escapado da morte. O Cine OK pegou fogo e muitos espectadores ficaram feridos. Foi o primeiro de uma série de golpes de sorte na vida de Silvio Santos.
               Aos 14 anos, Silvio descobriu que podia ganhar dinheiro vendendo capas de plástico para título de eleitor. Silvio Santos, dava o pontapé inicial para construir o seu império, decidiu ganhar a vida como camelô. Comprou uma carteira para guardar título de eleitor e saiu pela rua dizendo que era a última. Vendeu de imediato. Com o lucro, comprou mais duas peças. “É a última”, alardeava, escondendo a outra no bolso. Esperto, o garoto havia descoberto o filão na Avenida Rio Branco.
              Há dias observara os camelôs em ação, e queria encontrar uma maneira de ganhar dinheiro, sem muito esforço. Chamou-lhe atenção um homem que vendia porta-título a rodo. À espreita, seguiu o vendedor para descobrir onde se conseguia a mercadoria a preço de banana.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Vendedores ambulantes de livros Rio de Janeiro, RJ

Geralmente são reconhecidos pelos panos estendidos no chão, cheios de livros em cima. Estão espalhados tanto pela Zona Sul como pelo Centro.

onde fica
Por todo o Rio, principalmente em Copacabana, Ipanema, Leblon e no Centro.
por que ir
Porque têm de tudo e sempre estão dispostos a pechinchar. Não se pode cobrar a conservação de um livro de sebo, mas muitas vezes se pode achar uma raridade a preço de banana. Alguns chegam a disponibilizar qualquer título a R$ 1! Pode ser a sua leitura da tarde naquele dia ou a raridade que faltava na sua coleção. É sempre bom parar e dar aquela conferida, mas não custa - claro - sempre ficar atento: não é incomum ter algum malandro rondando, principalmente no Centro. Todo cuidado é pouco.
quando ir
Em dias de céu limpo. Se a chuva ameaça aparecer, nem adianta procurá-los - eles não estarão por lá.
quem vai
Quem gosta de livros e tem um escorpíão no bolso, colecionadores em busca de raridades, gente que quer um livrinho pra matar o tempo, curiosos.
quanto custa
A partir de R$ 1, o livro.

Desemprego provoca subida do número de vendedores ambulantes

Cresce a olhos vistos o número de vendedores ambulantes na capital do país, são jovens vendendo bugigangas para garantir o seu sustento e das suas famílias, alguns deles escolarizados outros nao e na sua maioria provenientes de varias províncias do país, que estao em Maputo a busca de outras oportunidades de vida.

Jorge Alfredo Tembe de 28 anos de idade, é casado e pai de dois filhos, vive no bairro de Matendene arredores da cidade de Maputo, vende no centro da cidade acessórios de telemoveis já a 3 anos. O nosso interlocutor diz nunca ter tido oportunidade de ir á escola, daí que as oportunidades de emprego formal para ele sao raríssimas, diz ele que gostaria de ter estudado pelo menos iria ter uma formacao profissional para poder trabalhar, lamentou.

Jorge vende os seus produtos na baixa da cidade de Maputo por ser um local de grande concentração de pessoas. Em média, Jorge tem um lucro diário de 100 Meticais o que não chega a ser nada se comparado com suas necessidades diárias. Aliado a isto, vezes sem conta não conseguimos vender nada e encasa morre-se de fome, disse.

Questionado se os seus filhos frequentavam ou não a escola, o nosso entrevistado disse que eles não podem nem devem ser como o pai, eles vão á escola, o mais velho frequenta a 3ª Classe e a mais nova está na 1ª Classe.

Amargamente o nosso interlocutor, lembra-se de um episódio em que a Polícia Municiapal, frustrou o seu negócio e quase que não conseguia dinheiro para comprar material escolar para os seus filhos, não fosse o empréstimo concedido por um amigo seu lembro-me, foi no dia 23 de Dezembro de 2007, a Polícia arrancou-me tudo e fiquei na estaca zero aliás a actuação da Polícia Municipal é vista por este jovem como um dos grandes entraves no negócio.

Para terminar Jorge Alfredo Tembe disse esperar que o governo crie oportunidades de formação e emprego para nós jovens porque a vida está difícil, rematou.

Como este são tantos jovens que diambulam diariamente pela cidade a busca do seu pão, as vezes com e tantas outras sem sucesso. O emprego informal é tido como alternativa pese embora não seja seguro, mas para não virarem amigos do alheio, jovens, mulheres, crianças e velhos tem na venda de bugigangas a sua fonte de renda.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

CAMELÔ – Origem do apelido

Vendedor ambulante é o indivíduo que anda pelas ruas de cidade em cidade, nas feiras e em lugares públicos de maior movimento, a vender suas mercadorias. No século 12, esses vendedores andantes que exerciam suas atividades nas ruas de Paris, França, ofereciam aos que passavam pelas vias públicas daquela cidade, um tipo de tecido feito com pele de camelo, muito apreciado pela população por ser extremamente macio, brilhante e oferecer excelente proteção contra o frio rigoroso das noites de inverno.


Esse material era importado do norte da África e do Oriente Médio, onde tinha o nome de “khmalat” , com significado de tecido rústico e felpudo, mas como ele era difícil de ser pronunciado pelos europeus, acabou ganhando en-tre os parisienses o nome de “camelot”, que identificava tanto a mercadoria colocada à venda como também os vendedores que a ofereciam.

Muitas vezes, porém, as peças negociadas por esses vendedores ambulantes não eram verdadeiras, mas apenas imitações baratas feitas com pele de cabra, o que só mais tarde era descoberto pelos compradores. Por causa disso os enganados passaram a afirmar, e com justa razão, que os itinerantes eram, na realidade, negociantes de produtos falsificados, convicção que a partir daí se incorporou à fama desse tipo de comerciantes de rua e permanece viva até hoje.


As variações ocorridas na língua francesa provocaram no século 17 o surgimento do verbo “cameloter”, que significava “vender objetos sem valor, ou tratar os outros com pouca educação e cortesia”, e por isso traduzia o sentido extremamente pejorativo que se emprestava a essa forma de procedimento. Decorridos mais dois séculos, registrou-se nova alteração na palavra, quando a variação “camelote” passou a ser usada pela população para designar a “mercadoria grosseira e de acabamento inferior” que supostamente era oferecida pelos vendedores ambulantes à sua clientela.

Esse vocábulo só chegou ao Brasil no início do século 20, mantendo o mesmo sentido depreciativo com que era usado na França de oitocentos anos atrás. Talvez, por isso, o abrasileirado “camelô” venha sendo substituído pela expressão “ambulante”, que ao contrário do que seu sentido indica, identifica os barraqueiros que hoje trabalham em locais fixos, e contam até mesmo com dirigentes que controlam sua organização e funcionamento.