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terça-feira, 26 de março de 2013

Representantes da Prefeitura e sociedade discutem a Central de Abastecimento


SEMAS realiza Ação de Combate ao Trabalho Infantil na Central de Abastecimento


quinta-feira, 21 de março de 2013

Vendedores ambulantes irregulares voltam a ocupar ruas do centro de SP


Os camelôs voltaram a tomar conta da região central de São Paulo. Com discrição ou de forma escancarada, os ambulantes irregulares convivem sem problemas com dezenas de homens da Polícia Militar, que trabalham na chamada Operação Delegada - em que PMs prestam serviço à Prefeitura em horário de folga.
Na principal rua de comércio popular da capital, a 25 de Março, a reportagem contou pelo menos 60 camelôs vendendo óculos, pen drives, água, bolsas, relógios, máquinas de cortar cabelo, aparelhos de massagem, entre outros produtos.
As mercadorias ficam em sacolas pretas e são oferecidas aos pedestres, apesar da presença de mais de 30 policiais militares na via. Quando as duplas de PMs passam, os vendedores apenas colocam os produtos dentro das sacolas e esperam que eles andem alguns metros. Depois, começam de novo a anunciar os produtos em voz alta.
No ano passado, poucos vendedores ambulantes se limitavam a atuar, mesmo assim escondidos nas travessas da 25 de Março, onde a presença dos policiais é menor. Na região da Praça da República, a venda dos produtos é ainda mais escancarada. A Avenida Ipiranga tem várias bancas de camelôs que expõem DVDs e CDs piratas. Ali, a reportagem não encontrou nem os PMs da Operação Delegada.
Economia. Nesta semana, o prefeito Fernando Haddad (PT) anunciou que vai tirar um terço da Operação Delegada do combate aos camelôs - ao todo, 1,3 mil PMs vão passar a atuar à noite, focados no combate ao barulho e aos bailes funks. Uma das justificativas usadas pelo prefeito, durante o anúncio, foi a melhora da situação econômica.
"Você não está vivendo mais uma situação em que as pessoas não têm emprego e vão para rua comercializar produtos para sobreviver", disse. "Eu acho que estamos com R$ 300 milhões investidos num único objetivo que era o combate ao comércio de rua ilegal. Eu acho que essa etapa foi vencida; você não tem a situação de dez anos atrás", afirmou.
Ambulante regularizado há mais de 30 anos, Edivaldo Ribeiro de Jesus, de 65 anos, afirma que o aumento de vendedores ilegais nas ruas é prejudicial até para os regularizados. "Isso é ruim, porque vira bagunça. Depois, estoura uma bomba e recai em cima de quem tem documento", afirmou ele, que é deficiente visual. No entanto, ele não tem saudade da gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que tentou tirar das ruas até mesmo os ambulantes regularizados.
Policiais militares entrevistados pela reportagem afirmaram estar desmotivados, após dois atrasos seguidos no pagamento da operação. A Prefeitura não respondeu aos questionamentos sobre o esquema de fiscalização do comércio de rua, limitando-se a informar que pagou os salários do bico oficial dos PMs.

Vendedores ambulantes da Praia de Ipanema nas telas.



De sol a sol. “Bom dia, Ipanema” reúne depoimentos de 15 profissionais da praia, como Marcelo, do mate de galão
Foto: Divulgação
De sol a sol. “Bom dia, Ipanema” reúne depoimentos de 15 profissionais da praia, como Marcelo, do mate de galãoDIVULGAÇÃO
RIO — Os vendedores ambulantes labutam de sol a sol na praia de Ipanema desde que Leila Diniz causou furor ao aparecer grávida de biquíni em pleno Posto 9, nos anos 1960, mas o mérito de ter registrado a peregrinação escaldante dos profissionais da faixa de areia — e suas sofisticadas estratégias de venda — é de um paulistano. Mais precisamente de Joaquim de Castro. Sócio da produtora Na Laje Filmes, o diretor documentou, no ainda inédito curta-metragem “Bom dia, Ipanema”, a história e a rotina de 15 trabalhadores que ganham o pão onde a maioria dos cariocas se alimenta de Biscoito Globo.
— O que me chamou a atenção, fora a extroversão dos vendedores, foram duas características interessantes: o marketing próprio, a forma que eles encontraram de se destacar naquela praia tão concorrida; e o caráter empreendedor — explica Joaquim, 31 anos de praia no currículo. — Acho muito fácil sair de casa e pensar: vou vender açaí, mate, mas eles são verdadeiros guerreiros que vivem debaixo do sol vendendo alegria. Queria ver, se os personagens da Disney estivessem sob aquele sol, se estariam acenando o bracinho.
Frequentador assíduo do Posto 9 e arredores de 2006 a 2012 — período em que cursou a Escola de Cinema Darcy Ribeiro concomitantemente com a faculdade de psicologia na PUC-Rio —, Joaquim se viu desestimulado com a breve carreira de ator que pensou seguir quando veio morar no Rio. Foi refletindo num fim de tarde em Ipanema, mate de galão em punho, que o diretor decidiu produzir o filme e as entrevistas.
Não foi fácil. Por incrível que pareça, o curta de 15 minutos precisou de um ano para ser feito. Acostumado com a velocidade frenética da Av. Paulista, Joaquim precisou se curvar ao raciocínio lógico carioca: vendedor ambulante só sai de casa para trabalhar quando dá praia. E só dá praia quando faz sol.
— O filme foi rodado em doses homeopáticas, não adiantava forçar a barra. Esse foi o maior desafio. Mas todos eles foram muito disponíveis — sublinha.
Por “todos eles” entendem-se 15 profissionais dos mais sortidos quitutes praianos. Desde o rapaz do intergaláctico “Hare Burguer”, Rafael (“que não tem nada de alucinado ou maluquete, é um garoto super esperto”, garante Joaquim) até o modesto Mário, criador da “melhor mousse do Rio de Janeiro”, segundo o próprio slogan, passando pelo Marcelo, do onipresente mate de galão.
Com lançamento previsto para meados de abril, “Bom dia, Ipanema” — que ainda está sendo finalizado — vai percorrer o circuito de festivais brasileiros e internacionais, como garante o diretor. É por isso que, por enquanto, YouTube nem pensar.
— Alguns festivais exigem que o filme não vá para a internet antes de concorrer.
O documentário é o segundo filme de Joaquim. O paulistano estreou na direção em “Cuidado ao atravessar a rua” (2009), curta de ficção cuja história gira em torno de um jovem que descobre que seu pai biológico — que ele nunca conheceu — vai tocar como DJ em uma festa na praia (ela de novo).
De volta a São Paulo por conta da produtora e da pós-graduação em psicologia na USP com ênfase em sexualidade — tema em que Joaquim se diz muito interessado —, ele ainda não sabe quando retoma seu lugar ao sol em Ipanema.
— Mas é claro que quero voltar. Louco é quem diz que não gostaria de morar no Rio.


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